A Expo Erechim 2025 sediou, nesta quinta-feira (20), o 1º Congresso Nacional de Proteína Animal, iniciativa da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE) que reuniu especialistas, lideranças do agro, pesquisadores, produtores, representantes de entidades e autoridades públicas para um amplo debate sobre o presente e o futuro das cadeias produtivas da proteína animal no Brasil. Realizado no Mini Auditório do Pólo de Cultura da ACCIE, o evento movimentou a programação técnica da feira e consolidou Erechim como polo de conhecimento e inovação do setor.
O evento teve início com pronunciamentos que evidenciaram a relevância estratégica do tema para o Brasil e, especialmente, para o norte gaúcho, uma das regiões de maior densidade produtiva do país nas cadeias do leite, aves, suínos e bovinocultura de corte.
ACCIE DESTACA PAPEL ESTRATÉGICO DO CONGRESSO
Ao abrir o encontro, o presidente da ACCIE, Darlan Dalla Roza, afirmou que o Congresso nasce com a missão de fortalecer a troca de informações, aproximar o setor produtivo da pesquisa científica e contribuir para que o país avance em competitividade. Para ele, debater proteína animal em um ambiente multissetorial como a Expo Erechim reforça o compromisso da entidade com o desenvolvimento regional. “Criamos este Congresso para gerar conhecimento, aproximar quem produz de quem pesquisa, e ampliar a visão estratégica de um setor que é decisivo para a economia brasileira. Quando reunimos produtores, indústria, universidades e poder público na mesma mesa, aceleramos soluções e abrimos novas oportunidades”, destacou.

FORÇA PRODUTIVA E NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO
Presente ao evento, o prefeito de Erechim, Paulo Polis, afirmou que o município e toda a região norte do Rio Grande do Sul possuem vocação histórica para o agronegócio e para a agroindústria. Segundo o prefeito, a proteína animal cumpre papel central na geração de emprego, renda e desenvolvimento. “Somos uma região que produz, inova e entrega resultados. Quando fortalecemos nossas cadeias produtivas, ampliamos oportunidades para milhares de famílias. Eventos como este ajudam a construir um ambiente mais competitivo, sustentável e integrado”, afirmou.

INFORMAÇÃO TÉCNICA QUALIFICADA
A ex-senadora Ana Amélia Lemos, referência nacional no debate sobre agro, elogiou a iniciativa e enfatizou que o Brasil precisa qualificar sua presença global. “O Brasil alimenta o mundo. Somos produtores confiáveis, sustentáveis e competitivos. Eventos como este reforçam o protagonismo da pesquisa, da ciência e da gestão rural”, afirmou.
O deputado federal Alceu Moreira destacou que o país precisa de políticas estáveis e menos entraves para avançar. “Não existe Brasil forte sem um agro forte. Precisamos de planejamento e clareza para fortalecer a produção e dar segurança ao produtor”, afirmou.
O senador Luis Carlos Heinze reforçou que o norte do Estado reúne alguns dos mais eficientes polos produtivos do país. “É aqui que se produz, que se gera renda, que se gera emprego. Precisamos seguir investindo em biosseguridade, eficiência e abertura de mercados”, destacou.
ESPECIALISTAS APRESENTAM CENÁRIOS E DESAFIOS DO SETOR
Representando a Aurora Coop, Luis Carlos Farias destacou a importância da participação da cooperativa no congresso e a relevância do diálogo técnico. “Para nós, da Aurora, participar deste Congresso é reafirmar um compromisso histórico com a sustentabilidade, a eficiência produtiva e o fortalecimento da nossa integração com produtores e cooperativas. A proteína animal vive um momento decisivo, em que tecnologia, biosseguridade e gestão de custos são essenciais. Eventos como este aproximam conhecimento de quem está na ponta e nos permitem construir soluções conjuntas para o futuro do setor”, afirmou.
O dirigente Luis Carlos Giongo, liderança reconhecida no setor agroindustrial regional, ressaltou que o momento exige profissionalização e foco. “O grande desafio das cadeias de proteína animal é transformar pressão em oportunidade. Temos uma região altamente produtiva e tecnificada, mas precisamos manter o foco em eficiência, gestão e inovação. Quando produtores, indústria, pesquisa e governo se sentam na mesma mesa, como estamos fazendo aqui, criamos as condições necessárias para avançar. Este Congresso demonstra maturidade e reforça o papel da Expo Erechim como espaço de construção estratégica”, afirmou.
O presidente do Sindicato Rural de Ere chim, Alan Tormen, que também representou a Federação da Agricultura do RS, apresentou um panorama detalhado da cadeia do leite no Brasil. Ele ressaltou a importância da qualificação produtiva, da eficiência e da necessidade de políticas estruturantes para enfrentar volatilidade de mercado, custos elevados e pressão de importações.

Segundo Tormen, o Brasil figura entre os cinco maiores produtores de leite do mundo e possui potencial para ampliar sua presença global, desde que enfrente gargalos como logística, tributação, competitividade e padronização de sólidos. “O desafio não é apenas aumentar a produção, mas posicionar o Brasil no mercado global com competitividade. Precisamos de estratégias integradas entre produtor, indústria e poder público”, afirmou.
TECNOLOGIA, GENÉTICA E SUSTENTABILIDADE
Pesquisadores da Embrapa, instituições financeiras e entidades setoriais apresentaram análises sobre tendências de consumo, avanços tecnológicos, biosseguridade, genética, melhoramento nutricional e certificações de sustentabilidade — temas que impactam diretamente aves, suínos e bovinos.
Representantes da Embrapa destacaram que a inovação científica mudou o patamar da produção nacional, ampliou a eficiência e possibilitou ao Brasil competir nos mercados mais exigentes do mundo. O Congresso prestou homenagem especial à Embrapa, reconhecendo sua contribuição histórica para o desenvolvimento da proteína animal no país.
ABPA DESTACA PROTAGONISMO DO BRASIL NO CENÁRIO GLOBAL
O painel conduzido por Marcelo Osório, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), reforçou o papel do país como líder mundial nas exportações de carne de frango e como um dos principais produtores de carne suína. Ele destacou oportunidades de mercado, desafios sanitários e a necessidade de políticas de Estado que valorizem o setor, não apenas de governo. “O Brasil alimenta mais de 150 países. Somos protagonistas globais porque entregamos qualidade, sanidade e competitividade. Mas precisamos de condições iguais no jogo internacional. O setor privado faz sua parte, e o poder público precisa avançar com segurança jurídica, logística eficiente e marcos regulatórios modernos”, afirmou. Osório também enfatizou perspectivas positivas para 2026, com recuperação consistente das exportações após os desafios da influenza aviária.
SICREDI APRESENTA ANÁLISE DE CENÁRIOS
Em sua participação, o Sicredi apresentou leitura econômica sobre milho, soja e custos de produção, além de projeções para 2026 nas cadeias de bovinos, aves e suínos. A instituição destacou que o momento atual é de retomada e que o ciclo pecuário aponta para margens mais positivas ao produtor.
DEBATES REFORÇAM IMPORTÂNCIA DA BIOSSEGURIDADE
A programação também contou com análises da Embrapa, Emater e Secretaria da Agricultura do RS, que abordaram biosseguridade, defesa sanitária, gestão territorial, risco sanitário, rastreabilidade e estratégias de mitigação. Os especialistas lembraram que o RS é referência em sanidade após alcançar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação e implementar programas rigorosos de controle e vigilância.
RECONHECIMENTOS E HOMENAGENS
O 1º Congresso Nacional de Proteína Animal reconheceu lideranças regionais com homenagens nos setores de aves (Éder Strada), suínos (Airton Zucumelli), leite (Alan Tormen) e corte (Abrão Safro), além de destacar profissionais que contribuem para a evolução do setor.
O 1º Congresso Nacional de Proteína Animal consolidou-se como espaço de diálogo qualificado, unindo ciência, experiência prática e visão estratégica para fortalecer uma das cadeias mais importantes da economia brasileira.































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