A 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), com sede em Erechim, completa 74 anos de atuação em 2026. A data está sendo marcada por uma programação especial ao longo da semana, envolvendo servidores, escolas e a comunidade escolar dos 41 municípios atendidos.
Em entrevista ao jornalista Leandro Vesoloski, a coordenadora regional de educação, professora Juliane Bonez, destacou o papel da CRE como elo entre o Estado e as escolas.
“Somos o caminho do meio entre o órgão central e as escolas. As políticas públicas passam pela Coordenadoria para que cheguem de forma orientada até a prática escolar”, explicou.
Atualmente, a estrutura atende 83 escolas estaduais na região Norte do Rio Grande do Sul.
História construída por pessoas
Um dos focos da atual gestão é o resgate da memória da instituição. Segundo Juliane, há dificuldade em encontrar registros detalhados da trajetória da Coordenadoria ao longo das décadas.
“Temos registros oficiais, mas não a história do desenvolvimento. Por isso, estamos trabalhando para deixar isso documentado”, afirmou.
Ela relembrou a mobilização realizada nos 70 anos da CRE, quando ex-coordenadores, professores e servidores foram convidados a participar das homenagens.
“A educação é feita por pessoas. Quando você chama essas pessoas, muitas vêm com gratidão por serem lembradas.”
Transformações e evolução da estrutura
Relatos de servidores durante a programação desta semana evidenciaram as mudanças ao longo do tempo — desde a época em que a comunicação era feita por fax até o cenário atual, marcado pela digitalização e produção de conteúdo pelas próprias escolas.
“Hoje temos uma estrutura muito melhor, com impacto direto no ambiente de trabalho e na qualidade do serviço”, destacou.
Educação como referência de vida
A coordenadora também enfatizou o papel social da escola na formação dos estudantes.
“Muitas vezes, a escola é referência de vida. Trabalhamos não só o cognitivo, mas também o emocional e o social”, disse.
Do analógico ao digital: desafios e adaptação
A transição para o ambiente digital foi apontada como um dos maiores desafios da educação, especialmente após a pandemia.
“Nós viemos de um modelo totalmente físico. A pandemia acelerou a transformação tecnológica”, afirmou.
Hoje, professores, gestores e estudantes contam com ferramentas digitais e plataformas de acompanhamento. Um exemplo é o aplicativo Escola RS, que permite às famílias monitorar frequência, notas e desempenho dos alunos em tempo real.
“A escola acompanha, a Coordenadoria acompanha, o governo acompanha. Existe um ciclo de governança com base em dados”, explicou.
Equilíbrio entre tecnologia e presença
Apesar dos avanços tecnológicos, Juliane ressalta que o contato humano segue sendo indispensável.
“Ainda vivemos a necessidade da presença, do atendimento físico. E isso exige equilíbrio com as demandas burocráticas”, pontuou.
Segundo ela, o cenário atual exige maior organização do tempo por parte dos gestores e educadores.
“O planejamento estratégico exige isso. A burocracia é necessária porque tem fundamentação legal, mas precisamos equilibrar.”
Formação contínua e troca de experiências
Outro ponto destacado é a adaptação dos profissionais da educação às novas ferramentas e metodologias.
“Temos colegas que se adaptaram muito bem, usando metodologias ativas e envolvendo os alunos. Outros ainda têm dificuldade, mas é um processo de aprendizagem”, afirmou.
A coordenadora reforça a importância da colaboração entre os profissionais.
“Todos nós aprendemos. Quem tem mais facilidade pode ajudar quem tem mais dificuldade. É assim que a gente cresce.”


































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