A violência doméstica segue como um dos principais desafios da segurança pública e exige uma atuação que vá além da repressão policial. O tema foi abordado pelo delegado regional da Polícia Civil, Gustavo Ceccon, em entrevista ao jornalista Leandro Vesoloski, ao destacar o trabalho integrado de prevenção, investigação e proteção às vítimas.
Segundo o delegado, embora os indicadores gerais de criminalidade apresentem redução na região, os crimes de violência doméstica possuem características próprias, com raízes culturais, sociais e emocionais, o que torna o enfrentamento mais complexo.
“Não é um crime que se combate apenas com viatura e prisão. É preciso prevenção, rede de apoio e mudança de comportamento da sociedade”, afirmou.
Medidas protetivas reduzem risco às vítimas
De acordo com Gustavo Ceccon, as estatísticas demonstram que mulheres que possuem medida protetiva de urgência apresentam menor risco de se tornarem vítimas de agressões mais graves. Por isso, a orientação da Polícia Civil é clara: registrar a ocorrência e buscar ajuda o quanto antes.
“É fundamental que a vítima procure a delegacia. A medida protetiva salva vidas”, reforçou.
O delegado destacou ainda que Erechim conta com uma rede de proteção estruturada, que envolve atendimento psicológico, ações preventivas e campanhas de conscientização, desenvolvidas em parceria com outros órgãos e instituições.
Último feminicídio registrado em 2023
Outro dado relevante apresentado na entrevista é que o último caso de feminicídio registrado em Erechim ocorreu em 2023, reflexo direto das políticas de prevenção, da atuação integrada das forças de segurança e do fortalecimento da rede de apoio às mulheres.
Ceccon ressaltou o papel da Delegacia de Proteção aos Grupos Vulneráveis (DPGV) e das ações educativas realizadas junto à comunidade, especialmente palestras de conscientização sobre violência doméstica e a importância da denúncia.
Falsa comunicação de crime preocupa a polícia
Durante a entrevista, o delegado também alertou para o crescimento de registros indevidos ou falsas comunicações de violência doméstica, situação que preocupa a Polícia Civil. Segundo ele, conflitos conjugais, processos de separação e disputas familiares não devem ser confundidos com crime.
“Separação não é caso de polícia. Quando a denúncia é falsa, banaliza um tema gravíssimo e pode prejudicar o atendimento de quem realmente precisa de proteção”, explicou.
O delegado destacou que a investigação desses casos exige cuidado redobrado, principalmente quando envolve crianças ou supostas situações de violência sexual. “É um tema sensível, que exige responsabilidade de todos”, afirmou.
Violência doméstica é um problema social
Ceccon ressaltou ainda que, embora a maioria das vítimas seja mulher, há registros pontuais de homens vítimas de violência doméstica, o que reforça o entendimento de que o problema está ligado ao adoecimento das relações sociais.
“A sociedade precisa entender que violência doméstica não é normal. Não é cultural no sentido de ser aceitável. É um problema grave que precisa ser enfrentado com prevenção, apoio psicológico e responsabilização”, concluiu.
Ao final, o delegado reforçou que o combate à violência doméstica depende da atuação conjunta do poder público e da sociedade, com informação, denúncia responsável e fortalecimento das redes de proteção.
































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