O humor que nasce da vida simples do interior tem ganhado cada vez mais espaço nas redes sociais — e em Erechim, dois nomes vêm se destacando nesse cenário: Heriqui Ariel Turra o @tinhooficial e Eduardo Pitt o @vizinho.colono
Embora muitas vezes associados pelo estilo e pela temática, os dois são humoristas com trajetórias próprias, mas que compartilham a mesma essência: transformar o cotidiano da colônia em entretenimento.
Tinho: da falta de coragem ao sucesso digital
No caso de Heriqui Ariel Turra, o Tinho, o início foi despretensioso. Antes dos vídeos, ele já produzia áudios que circulavam entre amigos e chamavam atenção pelo humor espontâneo.
“Muita gente me dizia pra começar a gravar vídeos, mas faltava coragem. Eu tentava, não dava certo, achava que estava passando vergonha”, relembra.
A virada veio quando alguns conteúdos começaram a ganhar grande alcance. “Teve vídeos que trouxeram 20, 25 mil seguidores cada. Aí eu percebi que podia dar certo.”
Hoje, ele aposta na autenticidade, trazendo para as gravações a própria família — inclusive a mãe, que participa dos vídeos e conquistou o público.
Vizinho: um tipo que representa a colônia
Já Eduardo Pitt, conhecido como “Vizinho”, constrói seu conteúdo a partir de um tipo que mistura realidade e observação. Natural de Mariano Moro, com vivência na região, ele afirma que o segredo está na verdade por trás do humor.
“Não dá pra inventar. Se tu não vive aquilo, não consegue sustentar. Eu conto a colônia do meu jeito”, explica.
O “Vizinho” não é totalmente fictício. “É uma misturança. Quando dá problema, é o vizinho. Quando é coisa boa, sou eu”, brinca.
Segundo ele, cada pessoa interpreta o cotidiano de forma diferente — e é justamente essa visão particular que dá identidade ao conteúdo.

Da troca de áudios à viralização
Um ponto em comum entre os dois influenciadores é a origem do conteúdo: a troca de áudios e brincadeiras entre amigos, que aos poucos migraram para as redes sociais.
No caso de Eduardo Pitt, esse movimento ganhou força com o incentivo do humorista Eduardo Badin, que ajudou a dar visibilidade ao material.
“O pessoal começou a gostar, e aí fizemos vídeos que viralizaram. Um deles, sobre uma cerca de divisa, teve grande repercussão.”
Humor regional que conecta
Apesar do crescimento, ambos reconhecem que o conteúdo tem forte identidade regional — o que é, ao mesmo tempo, força e desafio.
A linguagem, os costumes e as situações retratadas fazem com que o público que viveu no interior se identifique imediatamente. Por outro lado, essa mesma característica pode limitar o alcance em regiões onde essa cultura não é tão presente.
Ainda assim, o humor da colônia ultrapassa fronteiras em estados com forte influência sulista, mantendo viva uma forma de contar histórias que mistura simplicidade, ironia e memória afetiva.
Identidade que gera conexão
Mais do que personagens, Tinho e o “Vizinho” representam um jeito de viver. Seja através de histórias familiares, situações do dia a dia ou da linguagem típica do interior, ambos mostram que o humor mais simples — quando é verdadeiro — continua sendo um dos mais poderosos.
E é justamente essa autenticidade que transforma cenas comuns da vida na colônia em conteúdo capaz de engajar milhares de pessoas todos os dias.



































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