O presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul, Valdecir Folador, destacou durante entrevista a evolução tecnológica da suinocultura gaúcha e o crescimento do consumo de carne suína no Brasil nos últimos anos. Segundo ele, o setor é um dos mais importantes da economia gaúcha, gerando emprego, renda e movimentando a cadeia produtiva em diversas regiões do Estado.
Folador explicou que as mudanças bruscas de temperatura exigem cuidados especiais nas granjas, principalmente nas fases iniciais de desenvolvimento dos leitões. Conforme o dirigente, a suinocultura profissional trabalha atualmente com sistemas de controle de ambiência que garantem conforto térmico e melhores índices produtivos.
Na fase de maternidade, por exemplo, os leitões utilizam espaços aquecidos conhecidos como escamoteadores, equipados com lâmpadas de aquecimento para garantir a sobrevivência e o bom desenvolvimento dos animais logo após o nascimento. Já na fase de creche, onde os leitões permanecem após o desmame, as instalações utilizam sensores automáticos para controle de temperatura, ventilação e renovação do ar.
“O inverno é mais desafiador para os leitões até cerca de 20 quilos. Depois disso o frio já impacta menos, mas ainda assim é necessário manejo adequado para garantir desempenho”, explicou.
Segundo Folador, hoje praticamente toda a suinocultura industrial do Rio Grande do Sul trabalha com estruturas adaptadas tanto para o inverno quanto para o verão. O dirigente ressaltou que o desempenho dos animais influencia diretamente na remuneração dos produtores, já que fatores como ganho de peso, conversão alimentar e mortalidade são determinantes para os resultados econômicos da atividade.
O presidente da ACSURS também afirmou que a tecnologia passou a ser uma aliada importante nas propriedades rurais. Sensores automatizados controlam abertura de cortinas, acionamento de aquecedores e ventilação dos ambientes, reduzindo perdas e melhorando as condições sanitárias das granjas.
Outro tema abordado durante a entrevista foi o crescimento do consumo de carne suína no Brasil. De acordo com Folador, o consumo per capita praticamente dobrou nas últimas décadas, impulsionado por campanhas nacionais de valorização do produto e pela mudança na percepção dos consumidores.
“Foi feito um grande trabalho para derrubar mitos sobre a carne suína, mostrando qualidade, saudabilidade e praticidade do produto”, destacou.
Ele lembrou que entidades do setor passaram a trabalhar em conjunto com profissionais da saúde, nutricionistas e o varejo para apresentar estudos e informações sobre os benefícios nutricionais da carne suína.
Folador também apontou que a diferença de preço entre a carne bovina e a carne suína contribuiu para a mudança de hábitos de consumo da população brasileira. Segundo ele, em períodos de maior dificuldade econômica, muitos consumidores acabam migrando para proteínas mais acessíveis.
Além disso, o dirigente ressaltou que supermercados e redes varejistas ampliaram a oferta de cortes e produtos suínos nos últimos anos, facilitando o acesso e incentivando o consumo.
“A carne suína ganhou espaço pela qualidade, pelo preço competitivo e pela forma como passou a ser apresentada ao consumidor brasileiro”, concluiu.

































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