“Nós estamos apenas começando uma batalha a favor da liberdade”, afirmou o deputado Paparico Bacchi (PL). A enfática manifestação do parlamentar foi realizada na Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa, que reuniu o colegiado na terça-feira (18) para ouvir o professor Flávio Gabardo – diretor eleito da Escola Estadual de Educação Básica Érico Veríssimo, de Jacutinga – afastado das suas funções pela 15ª Coordenadoria Regional de Educação de Erechim, por meio de uma sindicância que investiga a denúncia de manifestação racista feita pela executiva do Partido dos Trabalhadores de Jacutinga.
Atendendo o requerimento do deputado Paparico Bacchi, a presidente do colegiado, deputada Sofia Cavedon (PT), conduziu a reunião onde o professor expôs que a denúncia é baseada no comentário que fez para a Rádio Campinas 1460 AM, onde parte do artigo do jornalista J.R. Guzzo – que analisava os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2022. “Eu sou professor há 35 anos. Há 20 anos eu sou diretor da Escola Érico Veríssimo, sempre por meio de eleições diretas. Fui convidado pela emissora de rádio de Campinas do Sul para fazer dois comentários semanais e nunca me ausentei do trabalho para realizar essa atividade – que fiz como cidadão. Naquele momento eu não estava exercendo a função de professor ou diretor escolar”, salientou Gabardo.
Flávio Gabardo esclareceu que a leitura de parte do artigo do jornalista foi realizada no dia 6 de outubro, motivando a denúncia e nota de repúdio do PT jacutinguense. “Não posso entrar na escola onde o meu próprio filho estuda. Os professores evitam falar comigo, fui removido dos grupos de WhatsApp dos professores e das turmas de estudantes. Fui acusado, julgado e condenado porque li parte de um artigo. Não cometi crime e nunca cometi nenhum ato de discriminação, atitude ou ação preconceituosa”, defendeu-se Gabardo – que aproveitou sua manifestação para agradecer a solidariedade que recebeu da comunidade local e estadual pelo ocorrido.

Arbitrariedade
Autor do requerimento que trouxe o professor à comissão, o deputado Paparico Bacchi destacou que o fato atípico e arbitrário trouxe comoção à população da região e está em pauta nos principais meios de comunicação estadual e nacional. “Esta casa tem a obrigação de preservar aquilo de mais sagrado que um homem pode ter na sua existência, que é a sua liberdade. Nós estamos vendo aqui uma arbitrariedade sem proporções, especialmente da área que é mais sensível às nossas vidas: a educação. Naquela coordenadoria temos cores partidárias e perseguição política. Assim, não podemos deixar um homem honrado, pai de família e professor dedicado às margens dessa discussão”, ressaltou o parlamentar.
“Estamos assistindo um professor vítima de um sistema político cruel, articulado pelo Partido dos Trabalhadores, que coloca uma cortina de fumaça para poder acusar. Falam de democracia, mas as atitudes falam o contrário”, afirmou a deputada Adriana Lara. O líder da bancada do Partido Liberal, Rodrigo Lorenzoni, não integra a comissão, mas fez questão de participar do debate. “Àqueles que se sentiram ofendidos podem buscar na Justiça alguma eventual reparação. Agora, não é razoável que a Coordenadoria Regional de Educação, exercendo um papel ideológico, abra o processo administrativo na Secretaria Estadual de Educação para analisar a opinião pessoal de um cidadão. O que isso tem a ver com a conduta do professor dentro da escola?”, salientou Lorenzoni.
Para o deputado Prof. Claudio Branchieri (Podemos), a humilhação do professor Gabardo é irremediável. “Quando há um afastamento sumário para averiguação dos fatos, a injustiça já está cometida porque a humilhação já está posta”, solidarizou-se. De acordo com o parlamentar, a discussão é semântica em relação ao significado das palavras, mas abriga a tentativa de censura de manifestações pretendida pelo governo Lula em projeto de lei que tramita no Congresso Nacional.
Além da solidariedade, denúncia e esclarecimento dos fatos, os parlamentares cobraram a presença da secretária de Educação, Raquel Teixeira, no debate. Participando por videoconferência, a coordenadora da 15ª CRE, Juliana Bonez, ressaltou que o professor não foi demitido do cargo de diretor. “O afastamento do cargo se dá enquanto a sindicância estiver vigente. Atualmente o processo encontra-se na Procuradoria Estadual”, afirmou Bonez.
Denúncia
No decorrer do debate, a comissão contou com a presença da deputada Laura Cito (PT), que preside a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos do parlamento gaúcho e respaldou os procedimentos administrativos a partir da denúncia. “O diretor irá responder administrativa e criminalmente à sua fala. Porque neste país a liberdade de expressão tem um limite”, ponderou a parlamentar.
Comissão de Ética
Na sua manifestação, Leonel Radde (PT) leu vários outros comentários do professor que, segundo ele, são preconceituosos, e citou um ditado alemão para justificar que estava se retirando da reunião. “Se há dez pessoas numa mesa, um nazista se senta e nenhuma pessoa se levanta, então existem onze nazistas”, afirmou Radde. A afirmação embasou o requerimento dos deputados Rodrigo Lorenzoni, Adriana Lara, Paparico Bacchi e Professor Claudio Branchieri, para abertura de processo ético disciplinar contra o deputado Leonel Radde.
































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