O julgamento do caso da morte do médico Gabriel Basso de Moura entrou, nesta quinta-feira, na fase dos debates entre acusação e defesa. O promotor de Justiça Fabrício Gustavo Allegretti iniciou sua manifestação afirmando que “Gabriel foi vítima da indiferença” e sustentou que o réu, Mateus Henrique Paixão, “assumiu o risco de matar a vítima”.
O representante do Ministério Público destacou que Mateus não buscou ajuda e tentou retardar o socorro ao médico. Alegou ainda que o suposto surto psicótico mencionado pela defesa é mentiroso, argumentando que o réu demonstrou lucidez ao relatar detalhes do crime, como a cor do isqueiro, o fato de o celular estar descarregado e a presença do cachorro da vítima.
Durante a exposição, o promotor apresentou um laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) que aponta que a origem do incêndio foi decorrente de ação humana. Também exibiu uma reprodução animada dos fatos, mostrando o trajeto e as ações do réu dentro da residência, inclusive o tempo estimado de deslocamento durante o crime.
Allegretti afirmou que o réu saiu ileso porque estava em um local protegido das chamas e que poderia ter aberto as portas para facilitar o acesso ao socorro, mas optou por não fazê-lo. O Ministério Público defendeu que Mateus agiu com dolo e pediu que os jurados reconheçam as qualificadoras de meio cruel, pelo fato de o fogo ter sido ateado enquanto a vítima dormia, de perigo comum, pela possibilidade de as chamas se espalharem para residências vizinhas, e de recurso que dificultou a defesa da vítima, já que Gabriel estava desacordado.
A advogada assistente de acusação, Dra. Dilene Dezan, também se manifestou, afirmando que, apesar das virtudes do médico, “alguém decidiu que ele não precisava mais viver”. Em um tom emocionado, disse que “a mãe da vítima está condenada a abraçar o vazio e a beijar uma foto” e que o réu tratou a vida de Gabriel “como se fosse descartável”.

Dilene destacou ainda que o réu causou “uma destruição em camadas — do filho, das lembranças e da história de uma família”.
Em sua retomada, o promotor Fabrício Allegretti afirmou que o Ministério Público acompanhou o caso desde as primeiras horas e reiterou não acreditar nas justificativas apresentadas pela defesa. Ele encerrou sua fala pedindo uma condenação exemplar, como resposta de justiça e alento à família e à sociedade.
































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