O Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado nesta segunda-feira (18), foi marcado por reflexão, escuta e construção coletiva no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II Renascer, de Erechim. Durante uma assembleia realizada com os usuários do serviço, o grupo debateu a importância do tratamento em liberdade, os avanços no cuidado em saúde mental e os desafios enfrentados por quem convive com o sofrimento psíquico.
Inspirados pela trajetória da psiquiatra brasileira Nise da Silveira, referência na humanização do cuidado em saúde mental, os participantes compartilharam histórias, sentimentos e experiências relacionadas ao preconceito, à exclusão e à reconstrução de vínculos por meio do acolhimento oferecido pelo CAPS.
Carta à sociedade
A atividade também resultou na elaboração de uma carta aberta à sociedade, escrita coletivamente pelos usuários e autorizada para divulgação. O documento traz relatos sobre as marcas deixadas pelo preconceito e reforça a importância da empatia, da escuta e do respeito à singularidade de cada pessoa.
“Escrevemos esta carta porque existimos para além de qualquer diagnóstico”, destaca um dos trechos do texto construído pelo grupo. A carta também evidencia os impactos causados pelo julgamento social. “Machuca quando me chamam de louca”, relataram os usuários ao abordar situações de discriminação ainda presentes no cotidiano.
Outro trecho reforça a importância do cuidado humanizado e do tratamento realizado em liberdade: “Cuidado não é fechar. Cuidado não é isolar. Cuidado não é violência. Cuidado é presença. É escuta. É acolhimento”, lembram.
A carta também traz relatos sobre a transformação proporcionada pelo acompanhamento no CAPS II Renascer. “Eu estava muito mal, mas depois que comecei a frequentar o CAPS, melhorei muito”, escreveu um dos participantes.
Debate sobre Saúde Mental
Para a coordenadora do CAPS II Renascer, Tais Regina Leite Camargo Duarte, momentos como este fortalecem o protagonismo dos usuários e ampliam o debate sobre Saúde Mental na sociedade. “Dar voz aos usuários é fortalecer o protagonismo e reafirmar a importância de um cuidado humano, acolhedor e em liberdade”, destacou.
O secretário de Saúde, Vianei Mueller, ressaltou o papel dos CAPSs no acolhimento e na reconstrução de vínculos comunitários. “Os CAPSs são espaços fundamentais de acolhimento, cuidado e reconstrução de vínculos na comunidade”, afirmou.
Reflexão
Encerrando a carta, os usuários deixam uma reflexão sobre a importância dos serviços de Saúde Mental Públicos. “Se não existissem os CAPS, onde estaríamos hoje?”, finalizam.
Fotos: SMS PME






























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