No ano de 2002, Erechim consolidava-se como um importante polo de tratamento contra o câncer, com o Hospital Santa Terezinha atraindo pacientes de toda a região em busca de cura por meio da quimioterapia e radioterapia. Porém, para muitos, o desafio ia além da doença: não havia onde se hospedar durante o tratamento. Foi nesse cenário que Sidonia Vesoloski, mais conhecida como Sônia, decidiu transformar sua casa, localizada na Rua Alemanha, em um refúgio para aqueles que enfrentavam a luta contra o câncer.
Movida pelo espírito empreendedor e por um coração generoso, Sônia oferecia mais do que um teto: criava um lar. Com empatia, amizade e respeito, ela preparava refeições, ouvia histórias e tratava cada hóspede como parte de sua família. Mesmo quando não havia condições financeiras para arcar com os custos, Sônia recebia quem precisasse, mostrando que sua missão ia além do material. Era sobre cuidar, apoiar e devolver esperança.
A Pousada da Sônia: um símbolo regional de acolhimento
Com o tempo, a “Pousada da Sônia” ganhou notoriedade e passou a firmar convênios com prefeituras de cidades vizinhas, que enviavam pacientes para serem acolhidos. Porém, o aumento da demanda exigiu expansão. Sônia alugou uma casa ao lado para ampliar sua capacidade e chegou a hospedar até 26 pessoas simultaneamente, mantendo sempre o carinho e a dedicação que a tornaram um exemplo para a comunidade.
No entanto, sua jornada não foi livre de desafios. Durante um período em que os aparelhos de radioterapia do Hospital Santa Terezinha ficaram inativos por problemas técnicos, a pousada ficou sem hóspedes e, consequentemente, sem renda. Determinada a manter as portas abertas, Sônia usou todas as suas economias para arcar com as despesas, garantindo que, quando o serviço fosse retomado, o acolhimento continuasse.
Com o avanço dos tratamentos em outras cidades, o fluxo de pacientes em Erechim diminuiu, e a pousada sofreu uma redução significativa no movimento. Sônia, então, mudou-se de cidade, interrompendo temporariamente sua missão. Contudo, ao retornar a Erechim, recomeçou seu trabalho, desta vez na Rua Itália, acolhendo principalmente acompanhantes de pacientes internados na UTI do Hospital Santa Terezinha.
A luta de quem sempre ajudou
Sônia enfrentou o câncer em duas ocasiões anteriormente: em 2006 e em 2018, quando venceu o câncer de mama. Hoje, a sua história é ainda mais comovente. Enfrentando um câncer no pâncreas, ela passa por tratamentos de quimioterapia e vive com limitações físicas, como a necessidade de se alimentar por sonda e passar grande parte do tempo na cama. Ainda assim, mantém sua casa aberta, fiel à sua missão de acolher quem precisa.
“Minha maior oração é para que Deus me cure. Quero continuar minha missão de acolher e cuidar do próximo”, declara Sônia, com a mesma determinação que a guiou por mais de duas décadas.
Como ajudar
Devido ao tratamento, Sônia precisa de cuidados especiais, medicamentos e uma cuidadora durante o dia, o que consome sua aposentadoria e os poucos recursos que acumulou ao longo da vida. Apesar do apoio dos filhos, ela decidiu recorrer à solidariedade da comunidade. Para quem deseja ajudar, Sônia disponibilizou um PIX para receber doações que ajudarão a custear as despesas de seus cuidados.
PIX para doações: 43351930097
A trajetória de Sônia Vesoloski é um exemplo inspirador de generosidade, resiliência e amor ao próximo. Sua história nos lembra do poder transformador da empatia e do espírito empreendedor em momentos de adversidade.







































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