Um grupo de indígenas da aldeia Ventarra, localizada no município de Erebango, realizou um protesto em frente à sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Passo Fundo, pedindo justiça pela morte de três pessoas dentro da comunidade e mais segurança na reserva.
A manifestação foi formada, em sua maioria, por mulheres e crianças que foram até o local para cobrar providências das autoridades. Durante entrevista à Rádio Uirapuru, a indígena Daniele Carvalho afirmou que a situação dentro da aldeia é marcada por insegurança e medo entre os moradores.
“A gente veio pedir justiça. Lá dentro o cenário é de guerra e destruição. Muitas casas foram incendiadas e as crianças não têm onde ficar. A gente quer uma posição da Funai e mais segurança dentro da área”, afirmou.
O grupo também pede esclarecimentos sobre as mortes ocorridas na comunidade, entre elas a do cacique Sidney da Silva, morto a tiros dentro de casa. De acordo com os manifestantes, após a morte da liderança, a aldeia estaria sem uma definição clara sobre quem comanda a comunidade. Além da investigação dos crimes, os indígenas defendem que seja organizada uma nova escolha de liderança para a aldeia, com participação da comunidade.
Grupo ligado à cacique apresenta outra versão
Após a repercussão do protesto, outro grupo de moradores da aldeia procurou a Rádio Uirapuru para apresentar sua versão sobre o conflito. Em entrevista, Danilo Braga Filho, que afirma apoiar a atual liderança da comunidade, disse que Togila continua sendo a cacique da aldeia e que não houve nenhum documento formal que a destituísse do cargo.
Segundo ele, o conflito começou em setembro do ano passado, após um grupo da comunidade contestar a liderança feminina dentro da aldeia. “Ela não é ex-cacique. Continua sendo a cacique da reserva, porque não foi protocolado nenhum documento retirando ela da liderança”, afirmou.
Danilo também relatou que reuniões foram realizadas com a participação da Funai, do Ministério Público e de outras lideranças indígenas para tentar mediar o conflito. Em uma das propostas, segundo ele, Sidney teria sido convidado a assumir como vice-cacique e integrar a liderança da comunidade, o que teria sido recusado.
Outro ponto de divergência entre os grupos é a forma de escolha da liderança da aldeia. Enquanto os manifestantes defendem a realização de uma eleição, o grupo que apoia a atual cacique afirma que a tradição do povo Kaingang prevê que a liderança seja transmitida dentro da própria linhagem familiar.
O conflito interno na aldeia Ventarra já resultou em três mortes e segue gerando tensão entre moradores da comunidade, que aguardam a atuação das autoridades para tentar restabelecer a segurança no local.
Informações e foto: Reprodução/Rádio Uirapuru

































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