Em entrevista ao jornalista Leandro Vesoloski, a médica coloproctologista Dra. Bruna Biazi explicou a importância de atenção aos sintomas intestinais, reforçou a necessidade de prevenção e alertou para o crescimento dos casos de câncer colorretal no Brasil.
Segundo a especialista, ainda há muita confusão sobre a área de atuação da coloproctologia. “Muitas pessoas acham que tratamos apenas da próstata, mas o coloproctologista cuida das doenças do intestino grosso, reto e ânus”, esclareceu. Entre os principais atendimentos estão casos de diarreia, constipação, divertículos, hemorroidas, fissuras, fístulas, abscessos, doença pilonidal e câncer colorretal.
Quando a dor abdominal deve preocupar?
A médica explicou que dores abdominais podem ter inúmeras causas e nem sempre indicam algo grave. Fatores como alimentação inadequada, estresse e questões emocionais podem provocar desconfortos passageiros.
No entanto, alguns sinais exigem atenção:
- Dor abdominal persistente por semanas
- Sangramento nas fezes
- Alteração do hábito intestinal
- Perda de peso inexplicada
- Cansaço excessivo ou anemia
- Presença de muco nas fezes
“Sangramento nunca é normal. Na maioria das vezes pode estar ligado a causas benignas, como hemorroidas ou fissuras, mas é preciso investigar para descartar algo mais sério”, orientou.
“Intestino preguiçoso” existe?
De acordo com a especialista, sim. A constipação intestinal pode estar relacionada a um intestino mais lento. A definição clínica inclui evacuar menos de três vezes por semana, associada a esforço excessivo, sensação de evacuação incompleta ou dor ao evacuar.
“Mesmo quem evacua com frequência considerada normal, mas faz muito esforço ou sente que não esvaziou completamente, precisa de avaliação”, explicou.
Câncer de intestino cresce no país
A Dra. Bruna destacou que o câncer colorretal é um dos mais comuns tanto em homens quanto em mulheres, ficando atrás apenas do câncer de próstata e do câncer de mama. Os números têm aumentado nos últimos anos.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Idade avançada
- Histórico familiar
- Sedentarismo
- Obesidade
- Tabagismo
- Consumo excessivo de álcool
- Dieta rica em alimentos ultraprocessados
Ela ressalta que não existe um único fator determinante. “É um conjunto de fatores aliados a uma predisposição individual”, afirmou.
Cerca de 90% dos cânceres de intestino se desenvolvem a partir de pólipos — pequenas lesões que crescem na mucosa intestinal e podem sofrer mutações ao longo do tempo.
Alimentação como fator protetor
A médica reforçou que a alimentação exerce papel fundamental na prevenção. Fibras têm efeito comprovadamente protetor para a saúde intestinal.
A recomendação é consumir entre 25 e 30 gramas de fibras por dia, presentes em:
- Frutas com bagaço
- Verduras e legumes
- Aveia
- Linhaça
- Alimentos naturais e minimamente processados
“Incluir fibra em todas as refeições ajuda tanto no funcionamento do intestino quanto na prevenção de doenças como divertículos e câncer”, destacou.
Obstrução intestinal tem solução?
Questionada sobre casos de obstrução intestinal, a médica explicou que as causas variam, podendo envolver tumores, torção do intestino (volvo) ou fecaloma, por exemplo. “Na maioria das vezes há solução, mas o primeiro passo é identificar a causa para definir o tratamento adequado”, explicou.
Quando fazer colonoscopia?
A colonoscopia preventiva — mesmo sem sintomas — é recomendada a partir dos 45 anos.
Para pessoas com histórico familiar de pólipos ou câncer de intestino em parentes próximos, o exame deve ser antecipado para os 40 anos. Já pacientes com sintomas devem procurar avaliação médica independentemente da idade.
“Prevenção salva vidas. O câncer de intestino é altamente tratável quando diagnosticado precocemente”, concluiu a Dra. Bruna Biazi.






























Comente este post