A Câmara de Vereadores aprovou nesta terça-feira (27) o projeto executivo que autoriza a prefeitura a repassar quase R$ 1,5 milhão à empresa responsável pelo transporte coletivo urbano da cidade. O objetivo é evitar que a passagem suba para cerca de R$ 7,40, valor considerado impagável por grande parte da população. À primeira vista, parece uma decisão sensata: o poder público intervém para proteger o bolso do cidadão. Mas a realidade é bem mais complexa — e preocupante.
O que se vê é um modelo de transporte coletivo que agoniza há anos, operando no vermelho, sem contrapartidas claras, sem planejamento estratégico e com um serviço cada vez mais precário. A empresa reduziu mais de 20 linhas, demitiu praticamente metade dos cobradores e tambem motoristas, não renovou a frota e segue usando ônibus grandes mesmo nos horários de menor movimento. Tudo isso em um cenário onde alguns bairros continuam sem atendimento regular. É justo premiar essa gestão com dinheiro público?
Vereadores que votaram contra o projeto argumentaram, com razão, que o problema vai além do preço da passagem. O verdadeiro debate deveria ser sobre a eficiência do serviço, a adaptação à nova realidade urbana e a sustentabilidade do sistema no médio e longo prazo. O subsídio, da forma como foi aprovado, parece mais um paliativo do que uma solução. Não há exigência de melhoria na frota, nem plano de expansão para atender os bairros esquecidos, tampouco medidas de modernização do sistema.
Sim, é verdade que há gratuidades previstas em lei — para idosos, pessoas com deficiência e estudantes. Mas isso não pode servir como justificativa para repassar milhões a uma empresa que não apresenta sinais de recuperação ou inovação. Sem um plano claro de reestruturação, esse tipo de ajuda financeira corre o risco de se tornar rotina, alimentando uma dependência permanente do setor em relação ao poder público.
A cidade cresce, os desafios mudam, mas o transporte coletivo parece parado no tempo. Subsidiar esse modelo é como tapar o sol com a peneira: alivia momentaneamente, mas não resolve o problema. O dinheiro público precisa ser usado com responsabilidade, e isso inclui cobrar resultados de quem recebe.
A tarifa pode até continuar mais baixa — por enquanto. Mas quem paga a conta, no fim das contas, é toda a população. E o pior: sem garantia de um serviço melhor.
































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