A sessão da última terça-feira (15), na Câmara de Vereadores de Erechim, expôs um momento de instabilidade na relação entre o Executivo e parte de sua base aliada. Projetos enviados pelo governo municipal — voltados à criação de gratificações de serviço (GSs) e funções gratificadas (FGs) — sofreram resistência no plenário. Algumas propostas foram rejeitadas, e outras só foram aprovadas com o voto de minerva do presidente Fifo Parenti.
Apesar da tensão, o episódio não deve gerar mudanças imediatas na composição da base ou em cargos ligados aos partidos. A leitura dentro do Executivo é de que se tratou de um tropeço inicial, típico de um começo de legislatura com muitos vereadores novos, ainda inseguros quanto à atuação política e receosos diante de temas mais técnicos da administração pública.
Com 15 dias de recesso pela frente, o governo deverá usar o tempo para reorganizar sua articulação política. A expectativa é de que sejam feitas conversas com os partidos, tanto em reuniões coletivas quanto em encontros individuais. A intenção, ao que tudo indica, é reconstruir pontes e deixar claro quem está disposto a caminhar com o governo no segundo semestre — que marca a transição do primeiro para o segundo ciclo da atual gestão.
A estratégia será preservar os aliados, evitar rupturas precipitadas e apostar na retomada do diálogo. A avaliação é de que ainda há tempo para corrigir rotas, retomar a harmonia e garantir maior previsibilidade nas próximas votações.
Para o Executivo, entrar o segundo semestre com uma base politicamente alinhada — ou pelo menos com uma composição clara — será fundamental. O momento exige serenidade, escuta ativa e maturidade de ambas as partes. Aos vereadores, caberá refletir se desejam exercer o papel de aliados construtivos ou adotar uma postura mais crítica e independente.
A política é feita de gestos e de ciclos. E o que se viu nesta semana pode ter sido apenas um teste de nervos. O que virá depois — reconstrução ou afastamento — dependerá da habilidade do governo em dialogar e da disposição dos partidos em compreender o papel que ocupam.
Jornalista Leandro Vesoloski
MTB 17921
































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