O ano de 2025 foi marcado por desafios econômicos, impactos climáticos e pela necessidade de maior organização dos municípios gaúchos para enfrentar eventos extremos. A avaliação é de Marcelo Arruda, ex-presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (FAMURS) e ex-prefeito de Barra do Rio Azul, em entrevista concedida ao jornalista Leandro Vesoloski.
Segundo Arruda, o período foi de aprendizado e reconstrução após a maior crise climática da história do Estado. Em 2024, as enchentes colocaram 95 municípios em situação de calamidade pública e 359 em situação de emergência, exigindo respostas rápidas e planejamento de longo prazo.
Preparação dos municípios para eventos climáticos
Durante 2025, Marcelo Arruda percorreu diversas regiões do Rio Grande do Sul e observou uma mudança de postura das novas gestões municipais. Conforme ele, os municípios passaram a investir mais em prevenção, estruturação das defesas civis e organização de protocolos para resposta a enchentes, estiagens, vendavais e granizo.
Erechim foi citada como exemplo de organização e agilidade, especialmente após a tempestade de granizo que atingiu mais de 10 mil moradias e cerca de 50 mil pessoas. A atuação integrada da Defesa Civil, forças voluntárias e entidades locais foi apontada como referência para outros municípios do Estado.
Agronegócio enfrenta dificuldades
Arruda também chamou atenção para a situação do agronegócio, responsável por cerca de 40% do PIB do Rio Grande do Sul. O setor vem sendo impactado por três secas consecutivas, além das enchentes de 2023 e 2024 e de eventos climáticos pontuais em 2025.
Segundo ele, muitos produtores ainda enfrentam dificuldades para recuperar o equilíbrio financeiro. As linhas de crédito anunciadas pelo governo federal, embora importantes, não chegaram com a agilidade e as condições necessárias para atender a totalidade do setor, em razão da burocracia e das exigências técnicas.
Defesa do municipalismo
Ex-presidente da FAMURS, Marcelo Arruda reforçou a defesa do municipalismo e da descentralização de recursos. Para ele, o dinheiro público precisa chegar diretamente aos municípios, permitindo que prefeitos e lideranças locais apliquem os recursos conforme a realidade de cada comunidade.
“Menos Brasília e menos Porto Alegre, e mais recursos na ponta”, defendeu, ao destacar que os gestores municipais sabem onde investir para melhorar a vida da população.
Avanços em infraestrutura regional
Entre os avanços citados está a conclusão dos acessos asfálticos na região do Alto Uruguai. Em 2026, todas as 32 cidades da região deverão estar conectadas por pavimentação, algo considerado histórico.
Obras como a pavimentação envolvendo Faxinalzinho, Entre Rios do Sul e Quatro Irmãos, além da ERS-477, conexões com Santa Catarina e a nova ponte entre Campinas do Sul e Ronda Alta, foram destacadas como fundamentais para o desenvolvimento regional.
Saúde como prioridade
Para 2026, Marcelo Arruda aponta a saúde como um dos principais desafios. A fila de cirurgias eletivas, especialmente na área ortopédica, preocupa e exige maior participação dos governos estadual e federal. A expectativa é aproveitar o compromisso do Estado de cumprir os 12% constitucionais em saúde nos próximos anos para ampliar os atendimentos.
Perspectivas para 2026
Mesmo sendo um ano eleitoral, a projeção para 2026 é de continuidade do trabalho, articulação política e busca por soluções concretas para os municípios. A redução da burocracia, o fortalecimento da saúde pública e o apoio ao agronegócio estão entre as prioridades.
Segundo Arruda, o desafio é transformar recursos em serviços, garantindo que cada investimento resulte em melhoria real na qualidade de vida da população.
































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