Sempre me impressionou como velórios, apesar de carregarem o peso do silêncio e da dor, também abrem espaço para as maiores lições que se pode aprender em vida. É como se, naquele salão de paredes brancas e cadeiras alinhadas, o tempo parasse para nos lembrar do óbvio que esquecemos todos os dias: não somos eternos.
Ali, cercados por coroas de flores e abraços apertados, as pessoas revelam um lado que, no corre-corre cotidiano, não costumam mostrar. Há reencontros de décadas, conversas que começam com um “quanto tempo” e terminam com um “me desculpa por ter sumido”.
É curioso: num velório, não existe tempo ruim para pedir perdão, nem orgulho suficiente para impedir um abraço. Enquanto alguns se perdem em lembranças, outros olham para o caixão e imaginam quantas histórias ficaram pela metade. E é nesse momento que vem o baque: as nossas próprias histórias também podem ser interrompidas a qualquer instante. O relógio não avisa.
Velórios nos ensinam que o dinheiro que brigamos para acumular não cabe no bolso da calça de madeira. Que a última mensagem que deixamos no celular de alguém pode ter sido, de fato, a última. Que as palavras engasgadas pesam mais do que qualquer luto. E, acima de tudo, nos mostram que a vida, apesar de curta, é larga o suficiente para caber um “eu te amo” por dia, um café demorado com quem importa e a coragem de perdoar.
No fim das contas, não é sobre morrer. É sobre viver de um jeito que, quando chegar a nossa vez de estar ali, alguém possa dizer que a gente valeu a pena.
Leandro Vesoloski
Jornalista – MTB 17921





























Comente este post