2024 parecia promissor, mas logo no início mostrou que seria um teste de resistência. Em janeiro, enfrentamos o golpe mais duro: o terceiro diagnóstico de câncer da nossa mãe. Duas vezes já havíamos lutado contra o câncer de mama. Cada batalha nos moldou, deixou cicatrizes e memórias de força. Mas, desta vez, era diferente. Mais grave. Era o pâncreas.
A notícia veio como uma sentença. Lembrei-me de histórias que cruzaram meu caminho, casos de pacientes com diagnósticos similares. Três meses. Era o tempo que ecoava na memória como um prazo cruel. O tratamento precisava começar imediatamente, mas o que deveria trazer esperança veio também carregado de incertezas: as reações da quimioterapia.
E vieram. Enjoos incessantes, náuseas debilitantes, uma falta de apetite que roubou dela mais de 20 quilos. Internações tornaram-se parte da rotina, a cada quinze dias. Entre a sonda de alimentação e a necessidade de cuidados ininterruptos, dividimos o peso entre dois filhos, uma neta e uma cuidadora.
Por duas vezes, os médicos foram categóricos. Não havia volta. A despedida parecia iminente, o contato com a funerária era um ritual que já não surpreendia. E, ainda assim, ela contrariava a lógica médica. Escolheu continuar. Escolheu lutar.
A cada dia, a mãe nos dava uma lição que nenhum livro ou sala de aula seria capaz de ensinar: a força do desejo de viver. Em meio à dor, ela se apegava à vida, desafiando estatísticas, diagnósticos e expectativas.
Agora, ao final de 2024, estamos aqui. Não inteiros, mas juntos. O corpo dela ainda luta, e nós, ao seu lado, também. Não sabemos como será 2025. Apenas esperamos que seja mais leve. Enquanto isso, seguimos firmes, porque foi ela quem nos ensinou: mesmo quando tudo parece perdido, sempre há espaço para um pouco mais de luta.
E assim vivemos. Em suspenso. Entre o medo e a esperança de mais um dia.






























Comente este post