Diante do grande volume de placas solares danificadas pelo temporal de 23 de novembro, a Prefeitura de Erechim segue em busca de alternativas para garantir a destinação ambientalmente correta desse material. A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Cristiano Moreira, em contato com a reportagem do Canal Dois.
Segundo o secretário, a orientação inicial repassada aos moradores foi clara: quem possui seguro do sistema fotovoltaico deve acionar a seguradora, que é legalmente responsável pela logística reversa — o processo de recolhimento e destinação adequada dos equipamentos descartados.
Além disso, a prefeitura também recomendou que os consumidores procurassem as empresas responsáveis pela venda e instalação dos equipamentos. De acordo com a legislação, o comércio também possui obrigação legal de participar da logística reversa, da mesma forma como ocorre com produtos eletrônicos, computadores, pneus e embalagens de agrotóxicos.
Setor ainda é incipiente no Brasil
Entretanto, apesar de a lei prever as responsabilidades, a logística reversa de placas solares no Brasil ainda é considerada “extremamente incipiente”, conforme explica Moreira. Diferentemente dos eletrodomésticos de linha branca, que já contam com sistema de recolhimento consolidado, o segmento de painéis fotovoltaicos não possui operadores plenamente estruturados.
Moreira relata que diversas empresas que se apresentam como responsáveis pela logística reversa para grandes fabricantes e importadores têm negado envolvimento quando questionadas sobre o caso de Erechim.
“Elas dizem que atuam nacionalmente, mas quando trazemos a realidade local, não reconhecem a responsabilidade. É impossível discutir legalidade à distância com empresas que fogem do tema”, destacou.
Custo pode ultrapassar R$ 80 por placa
O secretário também alerta para o custo elevado do processo. Em alguns orçamentos recebidos, o valor solicitado chega a R$ 80 por placa para coleta e destinação. Considerando que Erechim pode ter entre 4 mil e 10 mil placas danificadas, o custo seria inviável para o município.
“Mesmo que quiséssemos absorver esse valor, ele é estrondoso. E mais: não cabe ao município arcar com essa despesa. A responsabilidade é de quem fabricou, importou, comercializou ou instalou o equipamento”, reforçou.
Parceria
Enquanto isso, a Prefeitura tenta firmar parceria com alguma empresa que opere no ramo e ofereça um custo viável. A ideia é estabelecer um ponto de recolhimento, semelhante às campanhas de eletroeletrônicos já realizadas pelo município, de modo que a população possa entregar o material sem pagar pelo serviço.
“Estamos conversando com empresas para encontrar uma solução que caiba no bolso do município e seja legalmente correta. O objetivo é oferecer à população uma alternativa segura e acessível para destinar as placas danificadas”, afirmou Cristiano Moreira.
A Prefeitura deve divulgar novas orientações assim que houver definição sobre o parceiro responsável pela operação.































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